Brasil: país do contra-senso

Fiquei estarrecido ao ver, em uma propaganda política na TV, o deputado “cassado”, Roberto Jefferson, cobrar dos Gestores Públicos, honestidade, seriedade e criticar os descasos sociais que reinam neste país. É possível que o senhor Jefferson – logo ele, o pai do mensalão – tenha a cara de pau de cobrar alguma coisa à alguém, principalmente seriedade e honestidade? Não é possível que ele acredite que já esquecemos o seu envolvimento no “escandaloso” esquema de propinas, desvios de verbas, e todo tipo de embustes. Será que ele pensa, mesmo tendo o povo brasileiro memória curta, que a sua propaganda eleitoreira, vai apagar da nossa lembrança as suas falcatruas?

Para não fugir da rotina de acontecimentos vergonhosos, outro fato inusitado – para não dizer esquisito – a Operação Satiagraha, desempenhada pela Polícia Federal, culminou na prisão de 17 pessoas. Sendo elas: Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta, Verônica Dantas, Daniele Silvergleide, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dório Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Mello Coutrim, Maria do Carmo Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeiras Bastos, Carmine Henrique, Carmine Henrique Filho, Hugo Chicaroni.

A esquisitice deste fato consiste nos comentários feitos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal – STF – Gilmar Mendes, criticando os métodos usados pela P.F., taxando de arbitraria a ação desenvolvida pelos policiais e de que houve uma “espetacularização das prisões”, achando abusivo o uso das algemas, ferindo, desta forma, o estado de direito.

Em novembro de 2005, a empregada domestica Angélica Aparecida, naquele momento sem emprego, com dezoito anos, mãe de uma criança com dois anos de idade, morando com sua mãe doente, ao acompanhar uma amiga em um supermercado, escondeu debaixo de um boné um pote de margarina, após ouvir seu filho chorar com fome. Mesmo sem ter antecedentes criminais, foi presa e posta em companhia de outras prisioneiras acusadas de crimes hediondos, tendo seu pedido de liberdade negado pela “justiça” de São Paulo. Dito isso fica a pergunta “por que este mesmo rigor não pode ocorrer, quando o delito praticado é designado como crime do colarinho branco? E o estado de direito, neste caso da doméstica, como ficou”?

Fazendo um paralelo entre os dois assuntos – Jéferson e Dantas – concluímos que a ética no Brasil já foi pro brejo, faz tempo, e que, neste país, as leis, como costumam dizer, só foram criadas para a turma do PPP – Pretos, Pobres e Putas.

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