Por que nós, psicólogos, temos a obrigação de falar sobre Bolsonaro?/Por Helenice Rocha*

Hakenkreuz

Porque nossa profissão o exige. É uma questão ética nos posicionarmos contra este homem e contra qualquer possibilidade dele vir a ser o presidente do país.

Porque nossa profissão está alinhada com o compromisso da defesa dos direitos humanos, da defesa das minorias, da defesa dos que sofrem.

Porque nossa profissão nos obriga a trabalhar pelo bem comum, pela saúde mental.

Nossos conselhos (CRP e CFP) repudiam e quando necessário punem qualquer profissional que não cumpra minimamente estas orientações.

Tempos sombrios se avizinham e se realizarão, caso o candidato chegue ao segundo turno das eleições e haja qualquer possibilidade de vitória. Bolsonaro representa a materialização de tudo aquilo a que nos dedicamos, como psicólogos, a combater.

Bolsonaro não é um meme, não é um personagem. Ele é um homem a quem 20% fos eleitores já declararam sua intenção de voto.

Bolsonaro não é uma figura folclórica. Ele é um sujeito destemperado emocionalmente, atrasado intelectualmente e talvez pior do que isto, um sujeito mal intencionado e mentiroso.

A psicologia não anda na trilha do fascismo que este candidato prega, ao contrário, a psicologia anda na contramão dele.

A psicologia combate todas as ideias deste sujeito.

A psicologia trabalha a favor da compreensão de todos os sujeitos humanos. O candidato trabalha a favor do extermínio de grupos humanos.

A psicologia trabalha a favor do cuidado e do tratamento dos que sofrem. O candidato trabalha a favor da violência e da punição de muitos que sofrem.

Não combater esta candidatura é uma falha grave por parte dos psicólogos. Falha ética. Grave.

Não combater esta candidatura é uma falha grave por parte dos psicólogos. Falha ética. Grave.
FOTO: arquivos Google

Aos psicólogos que se omitem diante deste descalabro, sugiro que repensem. A nossa profissão não sobrevive ao fascismo. No limite, sob o governo deste ser abjeto, ela sobreviverá amputada, limitada e não de forma plena e criativa como desejamos e precisamos que ela seja. Neste caso, se omitir será tão grave quanto apoiar. E este silêncio mortífero nos condenará assim como todos aqueles a quem temos obrigação de cuidar, ao descaso e à violência.

Aos psicólogos que apoiam esta candidatura e se declaram eleitores desta figura nefasta, sugiro que se posicionem abertamente contra a vida e a dignidade dos grupos a quem esta mesma figura pretende combater ou exterminar.

Vocês são contra as mulheres, os negros, a população LGBT, os pobres, os índios, os imigrantes.

Vocês são contra as crianças a quem este sujeito medieval pretende condenar à violência e à penúria.

Vocês são contra a subjetividade e a diversidade, contra a liberdade e a cultura, contra a arte e a educação.

*Helenice Rocha – Possui graduação em Psicologia pela Universidade Guarulhos, Especialização em Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae e Mestrado em Psicologia pela Universidade São Marcos. Atualmente é docente da Universidade Guarulhos. Tem experiência em clínica psicanalítica.

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